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Veja mais fotos na GaleriaEsta viagem teve seu início no dia 10/02/97, de San Carlos de Bariloche (Argentina), de onde saí em direção a cidade de San Martín de Los Andes, percorrendo de bicicleta a região dos 7 Lagos (Lagos Correntoso, Espejo, Espejo Chico, Traful, Vilarino, Hermoso, Lacar) passando pelos Parques Nacionais Arrayanes, Nahuel-Huapi e Laním. Dois destes Parques estão situados na área que compreende a Cordilheira dos Andes, e todos eles possuem uma importante infra-estrutura para a proteção da Floresta e seu ecosistema natural.

Nesta etapa tive a oportunidade de conhecer dois ciclista Chilenos que viajavam na mesma direção que eu, então me convidaram para viajar junto com eles até San Martín de Los Andes e trocar experiências e viver aquela aventura juntos. Foi muito legal, pois conhecemos outros ciclistas de vários países fazendo o mesmo trajeto. Os acampamentos eram realizados nos fins de tarde nas beiras dos lagos onde já haviamos programados para ficar. Levantar acampamento, pegar lenha para fogueira e preparar o jantar era uma rotina saudável após um dia de "trabalho" viajando pela natureza, contemplando montanhas e lagos, conhecendo o povo rural da região com sua timidez peculiar, mas com uma hospitalidade sem igual. Foi assim até chegarmos a San Martín de Los Andes onde acampamos no Camping Automovel Clube e fizemos os reparos necessários nas bike e equipamentos, lavamos as roupas sujas e saímos para curtir essa simpática cidade da Argentina. Depois disso nos separamos, eles voltaram para Santiago do Chile e eu para Bariloche de onde seguiria para o Chile por outro caminho.

Veja mais fotos na GaleriaResolvi passar alguns dias conhecendo circuitos para serem feitos de bicicleta na região de Bariloche, e todos eles proporcionam aos seus viajantes um maior contato com a natureza e com as belas paisagens do local. Esta região possue vários refúgios, que são hospedagens que ficam quase no topo das montanhas. Escolhi o refúgio de "Cerro Lopez" para passar uma noite. Ele fica a uns 40 Kms da cidade de Bariloche e a uma altiude de 800 mts do nível do lago Nahuel-Huapi e possui 45 leitos. São 12 km de subida até chegar ao refúgio e devido ao esforço demasiado para chegar antes do anoitecer, fiquei com hipoglicemia (baixa taxa de açucar no sangue) tendo que terminar os 800 mts restantes a pé, deixando a bike e todos os equipamentos à margem da trilha que leva ao refúgio. Creio que consegui chegar lá graças uma lata de coca-cola cheia que ainda restava na mochila e que permitiu elevar um pouco a taxa de açucar. Foi um pequeno susto uma vez que pelo horário ninguém mais trafegava pelo local, dependendo apenas das minhas atitudes e esforço. Um esforço que foi recompensado pela beleza da paisagem que se tem lá de cima e pelo silêncio quase absoluto se não fosse o vento. Naquela noite a lua cheia veio dar seu espetáculo iluminando o Lago Nahuel-huapi, mostrando a silhueta da Cordilheira dos Andes ao fundo e tornado a noite mais linda, deixando todos os hóspedes do refúgio (14 pessoas) maravilhados com sua luz.

A próxima etapa da viagem foi atravessar a Cordilheira dos Andes, em direção ao Chile, pelo passo Vicente Perez Rosales que fica no Parque Nacional de mesmo nome, já em território Chileno.

Veja mais fotos na GaleriaApós atravessar a Cordilheria e chegar do outro lado do Lago Todos Los Santos, tive a minha barraca furtada e este fato além de me deixar triste, me obrigou a alterar parte do meu planejamento. Porém, não me deixei levar por esta frustação e logo recuperei a motivação, a energia positiva e a paz interior com a magia da beleza desse lago e do vulcão Osorno. Então, o dia voltou a ser lindo e emocionante pra mim. Passei o resto do dia fotografando, sentindo toda a sensibilidade desse lugar.

Viajei pela região dos Lagos Chilenos passando por grandes lagos e vulcões, onde alguns deles ainda estão em atividades, como é o caso do vulcão Villarica.

Em seguida, fui para o norte do Chile de avião para conhecer o Deserto de Atacama, considerado o mais árido do mundo, pois a umidade relativa do ar é quase zero. Para se ter uma idéia, o Atacama já ficou sem chover por 42 anos initerruptos. Era Páscoa quando cheguei a cidade de Antofagasta e quando trocava a camara do único pneu que furou em toda viagem, um senhor vendo a bandeira do Brasil na bike, veio conversar comigo. Me contou que havia trabalhado nas casas Pernambucanas em S. Paulo por 2 meses e após um longo papo rodeado por outras pessoas cheias de curiosidade, ele e sua esposa me convidaram para ceiar com a família. Essa é outra experiência emocionante, ser recebido de forma amiga em outro país e sentir a solidariedade das pessoas a todo instante.

Veja mais fotos na GaleriaA minha intenção era fazer um percurso de bicicleta entre as cidades de Calama e San Pedro de Atacama. Porém, problemas com minha saúde me impossibilitou de completar está última etapa da viagem, restanto apenas a oportunidade de realizar alguns registros fotográficos da cidade. Pedalei apenas 30 km pelo litoral do deserto e foi o suficiente para sentir o desafio que é viajar só naquela imensidão desértica e exótica.

Bem, fiquei triste por não realizar está etapa da viagem como havia planejado, mas tudo faz parte da aventura, coisa boas e ruins, bons e maus momentos, e todos eles nos trazem experiência e elevam a alma.

Procurei fazer uma documentação fotográfica do percurso realizado atendendo uma expressão pessoal. Dessa forma realizar a primeria exposição do projeto e relatar uma parte dos momentos da minha viagem, e ao mesmo tempo, despertar nas pessoas o desejo de viajar de bicicleta, presevar a nossa natureza tão bela, ou simplesmente, através do ato fotográfico registrar as paisagens e essa natureza, mesmo que seja em uma viagem convencional.

Ninguém mais que aquele que está sentado sobre sua bicicleta, pode dimensionar o prazer, o gosto de liberdade, e a experiência que uma aventura acrescenta em sua vida.

Está é uma das coisas mais gratificantes que conseguimos obter em qualquer aventura.


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