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Veja as fotos na galeria
de imagens. (atualizado dia 05/09)
Matérias sobre a expedição:
São
João del Rei Site: http://www.saojoaodelreisite.com.br/nossagente.htm
INEMA http://inema.com.br/mat/idmat030424.htm
28/08/2004 – Parati, o sonho se realiza
25/08/2004 – Cunha – Uma situação
inesperada
21/08/2004 - Cunha - SP
18/08/2004 - Fazenda Traituba - Cruzília
18/08/2004 - Baependi(MG)
17/08/2004 - Cruzília
11/08/2004 - 5a. feira
TIRADENTES
10/08/2004 - 4a.feira - São João
Del Rei
EM PRADOS
04/08/2004 - 4a. feira - Conselheiro Lafaiete
03/08/2003 - 3a. feria - Ouro Branco
02/08/2004 - 2a. feira - Ouro Branco
01/08/2004 - Domingo - Mariana - Ouro Preto
29/07/2004 - Mariana - 6a. feira
ILHADOS PELO ATOLEIRO
UMA CARONA INESPERADA
O HOMEM DAS CAVERNAS
QUE LEGAL, UMA PALESTRA NO FESTIVAL DE INVERNO
DE ITAMBÉ!
PINTURAS RUPESTRES
IPOEMA
CHEGADA EM IPOEMA
O TROPEIRO JOSÉ INÁCIO
NÓS NA FITA OUTRA VEZ. HE HE HE!
ADEUS ESTRADAS DE TERRA!
ASFALTO E TENSÃO NA BR-040
COCAIS
PEDALANDO EM VOLTA DO CARAÇA
DIA DIFÍCIL
SÓ DESCIDA, NÃO ACREDITO!
A VILA!
CHEGADA
EM MARIANA
Mariana
- Ouro Preto / Ouro Preto Mariana
2ª
feira - 19 julho
Domingo
- 18 de julho
Sábado
- 17 de julho
6ª
feira - 16 julho
4ª
feira - 14 julho
3ª
feira - 13 julho
2ª
feira - 12 julho
Domingo
– 11 de julho
Sábado
– 10 de julho
Sábado
– 03 de julho
Diário
da expedição 19/07/2004 até 01/082004
28/08/2004
– Parati, o sonho se realiza
Na 6ª ferira
a tarde eu já estava em Cunha me preparando para terminar a minha
expedição em Parati. Após ser bem recebido outra
vez por D. Nadir e seu filho Otávio, donos da pousada Terra Viva,
levantei-me no sábado bem cedo com a intenção de
aproveitar bem o dia.
Havia chovido durante a noite e a madrugada, e eu já esperava que
meu último dia de viagem fosse debaixo d’água. Para
minha surpresa, o dia amanheceu fresco e com um sol ameno.
A D. Nadir me preparou um delicioso café e depois de fotografar
suas plantas, me despedi de todos agradecido por todo o carinho e atenção
que tiveram comigo.
Já era 9h40 quando saí pedalando pela alameda de pinheiros
da pousada que acaba na beira da estrada Cunha-Parati. Logo nas primeiras
pedaladas percebi que ainda não estava bem, pois não tinha
forças nas pernas, provavelmente, pelo fato de ainda o organismo
estar se recuperando. Decidi ir pedalando bem tranqüilamente e esperar
o corpo se adaptar a fazer força com a bicicleta pesada com a bagagem.
Deixei a bike rolar pela estrada o quanto pude, pois logo a frente teria
um trecho de uns 7km de serra até a divisa dos estados de SP e
RJ.
Parei num bar à beira da estrada, comprei um litro de água,
pois sol já estava quente apesar da forte ventania que fazia na
região. Dali em diante era só subida e muito vento.
Foi assim, pedalando bem devagar, curtindo a natureza e o visual que ia
ficando cada vez mais belo a medida que ia vencendo as subidas da serra
do Mar que fui chegando próximo ao meu destino tão esperado.
Parei um pouco numa cachoeira bonita que fica bem ao lado da estrada para
dar um descanso, mas desta vez nem pensei em molhar a minha camisa. J
Apenas tirei fotografias. Aproveitei também para fazer algumas
filmagens das minhas pedaladas pela estrada e enquanto guardava a filmadora
surgiu a minha frente um senhor que acabara de subir a serra empurrando
uma bike de estrada. Ele havia saído de Angra dos Reis e pretendia
chegar a Itajubá. Levava apenas uma pequena mochila nas costas
com alguma muda de roupas e seus documentos. Paramos para um breve bate-papo
e logo em seguida nos despedimos e seguimos nossos caminhos.
Pontualmente ao meio-dia, eu estava ao lado da placa que indica a divisa
dos estados e o fim da subida da Serra do Mar.
Fiquei emocionado quando cheguei neste local, pois talvez estivesse meio
apreensivo desde a semana passada quando havia interrompido a minha viagem,
uma situação que jamais imaginava que pudesse acontecer
comigo no último dia de viagem.
Ali, em pé ao lado da minha bike e em meio a toda aquela natureza
agitada com o forte vento que fazia naquela altitude (1500 MT aproximadamente),
agradeci a Deus por tudo, por todas as pessoas que cruzaram o meu caminho,
por todos os acontecimentos e aprendizados que tive durante os 45 dias
da minha expedição pela Estrada Real. Uma experiência
que ninguém vai saber o tamanho da sua dimensão por mais
fotografias e filmagens que eu possa vir a mostrar.
Fiz um lanche rápido
e comecei a descer a serra para Parati. Foi uma descida tranqüila,
ouvindo apenas o barulho dos pneus, do vento e das mata atlântica
que as vezes ficava fechada chegando cobrir a estrada. Outra diferença
foi a mudança de temperatura. Do lado de São Paulo, um calor
mais seco e que era disfarçado pelo frio do vento. Do lado do Rio
de Janeiro um calor abafado, úmido e que me faz transpirar muito.
Procurei aproveitar bem cada momento da descida e logo já estava
na parte de serra que já é asfaltada.
O meu organismo estava
totalmente recuperado e por isso tentei chegar até um local onde
estão os vestígios de alguns quilômetros do “caminho
do ouro”, aberto pelos índios goianás, muito antes
das descobertas do ouro e diamantes no estado de Minas Gerais. É
um local que deve ser visitado com tempo e com um guia local.
Devido ao horário e o mau tempo, desisti a 800 MT do local onde
está a trilha do ouro, após ter empurrado a minha bike morro
acima por uns 1.300 MT.
Desci pedalando em meio a lama e isso me custou um tombinho sem maiores
conseqüências após uma deslizada do pneu dianteiro.
Retornei para o asfalto
e terminei a descida da serra até chegar a uma “ciclovia”
que leva a entrada da cidade. Quando passei por um casal que pedalava
em suas bikes, fui surpreendido pelos gritos entusiasmados da mulher ao
ver a minha bicicleta toda cheia de bagagens. Eles foram me acompanhando
numa conversa animada e com muitas manifestações de um dia
ainda poder realizar uma viagem de bicicleta, já que estão
aposentados e teriam muito tempo para isso. Convidaram-me para me hospedar
em sua casa. Gentilmente recusei esse precioso convite por querer ficar
mais próximo ao centro de Parati.
As 18h, eu chegava
ao caís do porto de Parati, debaixo de uma garoa fina e céu
totalmente cinza.
Um dia sem luz, para o meu espírito que não parava de brilhar
de felicidade por cumprir um percurso de mais de 950 km pelas Estradas
Reais do Brasil e do meu coração. Foi uma expedição
de descobertas, onde conheci melhor meu país e essa gente tão
hospitaleira, que sem saber, jamais permitiram que eu me sentisse só.
Descobri também alguns “quartos escuros” que habitavam
minha alma e pude iluminá-los novamente. Isso, pouca gente vai
entender o significado.
Depois de sonhar e
planejar (até mesmo adiar) essa expedição, acabo
por realizá-la, independente dos contratempos, das situações
e dificuldades. Tudo acontece no tempo certo. Realizei o sonho e me sinto
realmente realizado.
Não desista jamais de seu sonho, pois ele certamente vai se concretizar.
E quando se concretizar, outros sonhos já terão nascidos
em seu coração, aguardando o momento certo de sua realização.
Como escreveu Mário Quintana em seu poema de que tanto gosto, “A
verdadeira arte de viajar”: “(... )Não importa que
os compromissos, as obrigações, estejam ali... Chegamos
de muito longe, de alma aberta e o coração cantando!”.
Foi assim que me senti todos os dias da minha expedição,
e foi assim que cheguei a Parati... “de alma aberta e coração
cantando!”
Adventure Gears, HB
Sunglasses, Academia Energy Sport, Osíris Equipamentos, Raja Filmes
revelações, Mad Signs Comunicação Visual e
Bike Joe, muito obrigado pela preciosa parceria e confiança em
meu projeto.
Aos amigos, familiares
e pessoas que nem conheço, mas que me acompanharam nessa cicloaventura
ou que apenas deixaram sua mensagem, o meu muito obrigado pelo carinho
e pela companhia. Está é uma conquista minha e de todos
vocês. Sucesso sempre, para todos nós!
Walter Magalhães
25/08/2004
– Cunha – Uma situação inesperada
Caros amigos
me desculpem por não terminar o meu diário como era previsto.
Muitos que entraram no site pela última vez devem ter percebido
que os meus relatos terminaram em Cunha, faltando assim o relato do último
dia da expedição, Cunha – Parati.
O fato é
que tive um pequeno contratempo nesse último dia e foi preciso
interromper a viagem por uma semana. Por motivos pessoais achei melhor
não divulgar o ocorrido, mas esse fato, a viagem de domingo (22/08)
e a minha chegada a Parati eu conto para vocês a partir de agora.
Em meu último
relato, ainda em Cunha, tudo estava saindo conforme os meus planos para
chegar a Parati no domingo. Porém, ainda no sábado quando
pedalava pela subida da Serra Quebra-Cangalha, me descuidei tomando uma
atitude que complicou a minha viagem no dia seguinte, o que seria o último
dia de viagem.
Para me refrescar
do calor, acabei molhando a minha camisa nas bicas da estrada e tornei
a vesti-la no corpo que quente e suado, causando provavelmente, um choque
térmico. O fato é que a noite a minha garganta foi ficando
irritada e de madrugada já estava difícil para engolir a
saliva.
Pela manhã
a minha a garganta estava totalmente infeccionada. Meu corpo estava bem
e por isso resolvi seguir viagem e encarar os 22 km de estrada (praticamente
subidas) que separam os estados de SP e RJ.
No início
uma boa subida para sair da cidade e logo já estava no asfalto.
Eram 9h40 quando o sol dava sinais de que o dia iria ser quente outra
vez.
Após
uma grande descida de uns 3km surgia a minha frente uma grande subida
com a mesma distância, e essa, seria a minha primeira prova do dia
em relação a minha saúde. Pacientemente fui subindo
aquela enorme “onda” de asfalto e quando me dei conta já
estava lá do outro lado chegando na parte mais plana da estrada.
Fiquei feliz, pois era um bom sinal, mas a cada gole d’água
que tomava a minha garganta ardia muito. Isso sim me preocupava. Procurei
dar atenção às minhas tarefas diárias como
fotografar e filmar.
Já debaixo do sol quente do meio-dia, comecei a sentir o corpo
ficar mole, e então tive uma pequena febre e um pouco de cefaléia.
Estava próximo a pousada Terra Viva e parei nela com a intenção
de repousar um pouco e me recuperar para tentar seguir viagem.
A proprietária, D. Nadir me ofereceu a rede para um descanso e
assim que sentei na rede acabei dormindo. Fui acordado por um funcionário
da pousada que trazia um chá de guaco, mel e limão feito
carinhosamente pela D. Nadir.
Já
era 2h20 da tarde e eu ainda não havia me recuperado. Então
achei melhor cancelar esta última etapa da viagem e terminar no
final de semana seguinte, pois na 2ª feira já teria que estar
trabalhando. Acabou a festa. Ficar 45 dias sem lugar fixo, conhecendo
lugares e pessoas a todo instante é uma vida que eu adoro, mas
que agora irá mudar radicalmente.
Deixei minha
bicicleta na pousada do jeitinho que ela viajou comigo. Voltei para casa
somente com a roupa do corpo e com os equipamentos de fotografia. Não
me senti frustado com essa situação. Aconteceu e eu tenho
que saber assimilar essa nova condição. Afinal, a minha
missão estava praticamente cumprida, restava apenas um espaço
físico de apenas 35km para chegar ao destino proposto.
21/08/2004
- Cunha - SP
Depois de
dormir em Guaratinguetá na casa da minha querida irmã Denise
e cunhado Cláudio, levantei cedo para pegar a estrada o quanto
antes para evitar o sol escaldande do estado de São Paulo. Parece
que estamos no verão.
As 9h30 da manhã estava no posto de guarda da polícia rodoviária
estadual da estrada que vai para Cunha explicando para os guardas como
funciona a latinha fotográfica, pois havia parado para usar o banheiro
e eles viram a latinha na bike e ficaram curiosos. Aliás, essa
curiosidade pairou na mente de várias pessoas durante todo a minha
viagem, me fazendo da várias aulas "teóricas"
do funcionamento da pin-hole. A sorte é que levo uns negativos
de pin-hole que fiz na oficina em Ouro Preto e posso comprovar a minha
explicação, pois muita gente não acreditava.
Antes de parar no posto, quando comecei a pegar a estrada um sujeito de
bike veio pedalar ao meu lado e quando viu a latinha e soube que estava
chegando de Diamantina, me perguntou: -Vc nào é aquele cara
que apareceu na TV Vanguarda um tempo atrás?
-Sim, sou eu mesmo!
-Nossa, que legal! Uma coisa é ver o cara na TV e agora estou conversando
com ele pessoalmente, chegando da viagem que eu vi na matéria.
Pensava que o lance da latinha não era de verdade, mas agora estou
vendo vc aqui na minha frente com a latinha e tudo.Foi
muito engraçado e legal! Ele me acompanhoiu num bate-papo gostoso
até o posto de guarda.Depois
disso foi subir, subir e subir... a Serra Quebracangalha. Quando pensei
que havia acabado tinha mais um pouco para subir.
Um dia lindo
de sol, sem nuvens... tudo azul no horizonte e a Serra da Mantiqueira
ao fundo completando o cenário. Uma pintura, ou melhor, várias
fotográfias.Depois
de percorrer 25km dos 45km que liga Guaratinguetá a Cunha, parei
numa casa de lanches muito legal chamada "Tudo da Roça".
Lá parei para lanchar e conversar com a proprietária e algumas
pessoas que pararam por lá de carro.
Segui viagem
por volta das 14h e assim fui curtindo cada minuto do dia, cada subida,
cada descida e o ventinho refrescante desse "verãozinho"
na região. De repente me pegava refletindo ou meditando coisas
da viagem e da minha vida. As entrevistas que coletei, as amizades que
fiz, e a minha conversa preciosa
com o Sr. Átila Godoi em sua casa. Coisas que conversamos que estão
na minha mente até hoje e que tem muito a ver com o espírito
da minha viagem interior.
Depois de
algumas horas de viagem cheguei em cunha exatamente as 16h, bem cedo perto
dos outros dias de viagem. Estou hospedado na casa de uma prima de quem
gosto muito, assim como os outros primos aqui de cunha. Agora ela já
tem uma famíla muito bacana e acolhedora.
Amanhã
quero sair bem cedo, pois serão 22km de serra sem refresco e preciso
evitar o sol alto para não sofrer muito. Não sei ainda o
que estou sentido estar chegando no final de uma expedição
que
tanto sonhei e que agora estou prestes a concluir com sucesso.
Estou feliz, mais que isso, realizado interiormente pelas experiências
que vivi.
Amanhã
certamente será um dia muito especial em minha vida. Que Deus me
abençõe na minha chegada.
Um beijo
para todos vcs que me acompanharam nessa aventura e espero vê-los
em breve ou responder os emails da pessoas que nunca vi, mas que de alguma
forma tornaram-se meus amigos nesta jornada.
Até
amanhã, lá em Parati.
18/08/2004
- Fazenda Traituba - Cruzília
Levantei
cedo na fazenda e após o café fui fazer algumas fotografias
com a latinha. Fiz umas 5 fotos com ela. Depois, juntamente com o Mateus
(um cara super gente boa), gerente da fazenda, fui filmar e conhecer a
história da Fazenda Trtaituba. Muita coisa boa aprendi com essa
visitação. Valeu a pena. Obrigado Mateus!
Fiquei conversando novamente como pessoal e outra vez saí tarde
para o meu dia de viagem. Sol forte na cabeça e não via
a hora de passar por uma cachoeira pequena que havia na beira da estrada.
Um dia lindo, céu azul e vento no rosto nas descidas inicias do
percurso. O percurso é bonito mas eu quis mesmo é tocar
a viagem e chegar logo em Cruzília. Parei em uma fazenda para pedir
água e garantir a provisão desse líquido importante
para toda a viagem. enquanto a
moça foi buscar águaeu comecei a ouvir um zumbido forte
(zzzzzz zzzzzz). Eram abelhas e eu confirmei essa minha suspeita quando
a mulher voltou. Ela me disse que procura ficar longe pois conforme o
cheiro da pessoas elas atacam mesmo. Bem, segui viagem e andei uns 20
km para depois afzer minha primeira refeição do dia. Parei
longe dos euscaliptos por causa das abelhas que geralmente ficam por ali.
Encostei a bike numa porteira de fazenda e comecei o banqute. Granola,
gatorade, pão com "MEL", uva passa...
Já estava guardando tudo e ia descascando uma laranja, qdo comecei
a ouvir um zunido pequeno (zzz). Depois foi aumentando (zzzzzzzzz)...aumentando(zzzzzzzzzzzzzzzzz)
e quando me dei conta estava sendo atacado por um enxame de abelhas. Fiquei
assustado e saltei na minha "magrela" tentando fugir das abelhas
antes que elas me atigissem e me picassem. "Piquei a mula" MESSSMMMOO!
A laranja caiu no chão, o canivete joguei do alforje e saí
pedalando com tudo aberto até ficar distante daquele zunido assustador.
Por sorte não fui picado. Quando parei meu coração
batia disparado e comecei a cair na gargalhada, sozinho, rindo da minha
situação bizarra. Imaginem só: "Cicloturista
é atacado por abelhas ferozes quando percorria a Estrada Real".
Me imaginei naqueles desenhos que o personagem sai correndo e pula no
lago para fugir das abelhas.
Arrumei os
alforjes e conferi se nada mais havia caído pelo chão. Mais
alguns km pela frente sai no asfalto e cheguei em Cruzília.
Mais um belo
dia de viagem se vai.
topo
18/08/2004
- Baependi(MG)
Em Carrancas
conheci pessoas bem legais, aliás como tem sido todos os dias da
viagem. Parece que somos todos uma grande família espalhadas por
várias cidades de Minas Gerais.
Por causa
dos bate-papos sobre Estrada REal, cicloturismo e outros assuntos, acabei
saindo tarde novamente. Segunda-feirta as 13h30 estava saindo de Carrancas
para chegara Fazenda Traituba, uma fazenda de quase 200 anos contruída
para receber D.Pedro I, mas quando a fazenda ficou pronta D.Pedro retornou
a Portugal e nuncaviu a fazenda terminada.
Peguei uma estrada de terra que leva até o Hotel e Fazenda do Engenho
num percurso de uns 9km. Um sol escaldante me fez ficar meio arrependido
de sair nesse horário. Mas também sabia que logo iria ficar
mas tranquilo pedalar após as 15h. Logo peguei uma trilha que me
levaria para a Fazenda Grão Mongol. Essa trilha por caminho de
vaca e algumas passagens por matas fechadas, riachos era bem tranquila,
mas tinha pressa para chegar ao destino antes do anoitecer. Com peso da
minha bagagem e a dificuldade de equilibrar a bike na trilha,
acabei levando um tombinho de leve, mas ninguém reparou. He! He!
Já FAzenda Grão Mongol, não achei uma porteira que
estava indicada no roteiro que tinha comigo e uma mulher me deu uma informação
que tive que retorna a sua casa para perguntar novamente sobre a bifurcação
que havia no alto do morro.
Peguei o rumo certo e daí para frente ninguém mais para
dar informações. A trilha as vezes ficava um pouco mais
pesada por causa de um trecho todo de areia fofa. Mas logo a diante entrei
pelas portas dos fundos da Fazenda Bananal de Baixo. Fui recebi pelo proprietário
que muito educadojá veio conversando comigo sobre a minha viagem.
Nossa conversa foi interrompida por uma pessoa noticiando a morte de um
amigo (eu creio). Uma situação meio chata mas ele continuou
conversando comigo e foi abrir a porteira para que pudesse passar
pela fazenda e seguir o meu destino. Não fiz muitas fotos pois
a noite já estava chegando, mas aproveitei o pôr do sol para
fazer algumas e acho que fiz "aquela foto". Espero que tenha
ficado legal. Quando ainda restava alguma luz comecei a descer rumo a
Fazenda Traituba er logo
apareceu um caminhão que parou a meu pedido só para confirmar
o caminho. Qdo vi, a placa do caminhão era de Taubaté. O
moço me disse: uai! O que cê faiz por essas banda desse jeito.
Ele era da região e tbm morava em Taubaté.
As 18h eu estava entrando pelo portão da Fz.Traituba e fui recebi
pela Sr. Luiza e por uma menina muito bonita chamada Anna, que depois
fui saber era filha do proprietário.
Foi difícil negociar uma cortesia para o projeto por causa de alguns
acontecimentos que ocorreram com outros cicloturista que deixaram uma
má impressão com os proprietários desta Fazenda tão
bela. Teve gente de Brasília que entrou com a bike toda suja de
barro dentro da casa sujando um assoalho com mais de 150 anos. Fizeram
uma baderna. Outros casos aconteceram mais recentemente.
Precisei
explicar que esse não é o comportamento do bom cicloturista
e tentei mudar essa impressão que outros deixaram por aqui. Espero
ter conseguido.
Me colocaram
num quarto cuja a cama foi feita para D. Pedro I dormir. Uma cama grande
toda trabalhada e com detalhes feitos com vários tipos de madeira.
Tomei um
banho bem relaxante, fiz uma jantar maravilhoso cuja a comida foi feita
no fogão à lenha (é claro, não poderia ser
diferente) e fui atualizar meu diário de viagem. Um dia cansativo
para uma noite relaxante numa fazenda muita antiga e cheias de histórias.
Vale a pena passar por lá e ficar pelo menos uma noite.
topo
17/08/2004
- Cruzília
Antes de
qualquer coisa, vejam uma entrevista que dei para o site de S.J.Del Rei,
www.saojoaodelreisite.com.br
Acho que ficou bem legal. Valeu Beni pela
força aí em S.João.
Sinto muito
por não deixar o site mais atualizado pois tive problemas na loja
em S.J.Del Rei e perdi tudo o que havia atualizado do diário momentos
antes de confirmar o diário. Isso aconteceu 3 vezes. Agora vou
fazer um breve resumo para vcs que estão me acompanhando nessa
aventura sem igual na minha vida.
Quando estava
saindo de Tiradentes passei por um senhor e disse: bom dia! Ele me respondeu:
mau dia!
No mesmo instante tive uma sensação tão ruim, uma
decepção para quem está acostumado a só receber
palavras de incentivo. Fiquei digerindo esse momento por umas 3 horas
até conseguir me desligar do ocorrido. Rezei por ele e fiquei em
paz comigo mesmo.
Dei uma palestra
na faculdade de S.J.Del Rei e foi muito legal. Conheci pessoas especiais
aqui nesta cidade: o pessoal da Del REy Bike, o Vinícius da paradaria
pão de queijo e quem um irmão em S.J.Campos, o Everton da
Tatuara Esportes que me apresentou o Rodrigo me apresentou o Átila
Godoy e sua esposa Zione, o Beni do Site que faz um trabalho muito legal.
O Rodrigo tbm é um cara multi-atividades( pinta, tem banda, pedala,
trabalha com filmagens...), a galera da faculdade de S.J.Del Rei. Valeu
galera por toda força e acolhida que vcs me deram na cidade de
vcs. Vamos nos ver em breve!
De S.J.Del
Rei segui para Caquende onde iria me hospedar no sítio do Atíla
Godoy, mas no caminho não me senti bem e tive que ficar em S. Sebastião
da Vitória. Fiquei meio doente, resistência caindo e achei
melhor repousar o corpo um pouco. Acho que foi a correria e o frio de
S.J.DEl Rei.
Segui para
Caquende no dia seguinte mesmo sentido cefaléia (dores na cabeça)
e um pouco febril. Com todo carinho fui bem recebido no sítio do
Átila Godoy, uma das pessoas que fiquei muito feliz pela oportunidade
de tê-lo conhecido.
No dia seguinte
tentei seguir viagem para Carrancas e não consegui pois estava
me sentido sem forças para pedalar. Voltei para o sítio
do Átila com um sentimento de decepção e meio envergonhado
de dar algum trabalho para seus funcionários. Mesmo assim fui recebido
novamente com muita atenção e carinho por todos. Estava
triste por achar que a viagem podesse ser interrompida por causa de alguma
possível doença(gripe, virose...). Mas foi só para
não perder o costume das viagens anteriores.
Na 2a. feira
estava mais animado e disposto a tentar a qualquer custo chegar em Carrancas.
MAs esta parte eu conto para vcs ná prómixa ediçaõ
do meu diário.
Não
deixem de visitar o site de São João del Rei: www.saojoaodelreisite.com.br
que feito pelo Beni. Visite
també o site do Rodrigo: www.escalas.com.br
e vejam o trabalho dele que é bem legal.
Abraços.
topo
11/08/2004
- 5a. feira
Pessoal já
tem fotos na galeria de fotos do site. Peço desculpas por não
ter fotos do Daniel, mas uma pessoa de uma loja de internet ficou de me
ajudar enviando mais de 50 imagens para o webmaster do meu site e não
enviou todas. Agora será preciso paciênicia até enviar
novas imagens. Hoje envei mais algumas que em breve estará disponível
na galeira.
topo
TIRADENTES
Atravessei
a Serra de São José rumo a Tiradentes. Estrada de terra
muito legal de se pedalar, floresta, nascentes de água. Pude ver
aves, macacos e muita paisagem de tirar o fôlego. Despois de uma
bela descida cheguei a Tiradentes por volta das 15h.
Aqui tudo é caro, mas vale a pena ficar um ou dois dias para conhecer.
S.J.Del Rei é pertinho e é possível se hospedar lá
e vir visitar Tiradentes. Almoçei num restaurante de um posto de
gasolina e fui fotografar a Estação de Tiradentes com a
latinha fotográfica e depois partir para São João
Del Rei.
Para minha surpresa uma pessoa se aproximou e me perguntou se era eu quem
viajava com a bike encostada na estação. Qdo olhei era o
Jacques Sirat uma amigo cicloturista que está viajando o mundo
de bike a mais de 4 anos e estava no Brasil visitando sua namorada que
mora em Campinas. Jacques resolveu fazer alguns trechos da Estrada Real
caminhando. Ficamos felizes com nosso reencontro. A conversa tava boa,
mas quando me dei conta o sol já estava se
pondo e teria que ficar em Tiradentes e pagar caro ou acampar naquele
frio danado em algum lugar. Para minha sorte um cara que estava ouvindo
nossa conversa veio conversar com a gente dizendo que sua mulher e restauradora
de imagens de igraja e ia gostar de conversar com a gente sobre a Estrada
Real. Qdo ela se aproximou a conversa ficou mais animada e se extendeu
mais ainda. Eles acabaram me convidando para dormir na casa deles e me
deram o telefone caso eu aceitasse mais tarde. Jacques e eu fomos tomar
uma cervejinha para celebrar nosso encontro.
Aceitei o convite do casal e fui dormir na casa deles. Georgette e Cláudio
foram muito hospitaleiros comigo e me ajudaram muito. Fiquei feliz em
conhecê-los.
topo
10/08/2004
- 4a.feira - São João Del Rei
Olá
pessoal tenho uma bela notícia para lhes dar.
O Daniel
já chegou em Parati com sucesso!
Seu pai, Sr. Dorival (desculpe aí Dorival pelo SR.) lhe fez uma
grande surpresa e foi encontrá-lo em Guaratinguetá para
seguir juntos até Parati.
Eles "aportaram"
suas bikes em Parati ontem (dia 10)! Parabéns Brother por sua conquista.
Fiquei muito feliz e emocionado com a notícia. Em breve vou te
ligar para gente conversar.
Bem, estou
ainda estou em S.J.Del Rei. Muitas coisa aconteceram até aqui.Cheguei
em Lagoa Dourada depois de um belo e cansativo dia de viagem. Foi mesmo
um belo dia, mas estava muito cansado. parei par descançar num
banco de praça e dormi por quase duas horas. Estava dormindo no
guidão da minha bike.Passei por lugares maravilhosos e conheci
gente simples e disposta a ajudar sempre. tive momentos de introspecção,
o que aliás acontece a cada dia
de pedalada. O visual das montanhas, as nuvens e eu minha bike na estrada.
Tudo muito legal.
Fiquei numa
pousada em Lagoa Dourada cuja a proprietária disse ter um parentesco
com Tiradentes. Me contou algumas histórias e foi muito legal.
Pena que cheguei na cidade bem no meio de uma Festa de Rodeio da região.
Quase tenho que acampar num posto de gasolina. O frio aqui está
pegando mesmo. Consegui um lugar no
sotão da pousada da D.Aidê. Estava tão cansado que
nem o bêbado que chegou tarde tentando abrir a porta que tinha a
fechadura invertida me incomodou. Lagoa Dourada é a cidade do Rocambole.
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EM
PRADOS
Pela manhã
peguei uma trilha para cortar caminho para Padros. Economizei 15km e fiz
tudo por terra. Levei alguns sustos pois me perdi 3 vezes apesar de ter
uma planilha detalhada, alguns pequenos detalhes que faltaram me fizeram
cometer esses anganos. Para atravessar um córrego tive que desmonatr
a bike e passar uma coisa de cada vez me equilibrando em dois pequenos
e finos troncos de árvore. Não havia como voltar atrás,
seria pior. Mesmo assim valeu! Passei por fazendas, vi várias maritacas
em árvores e muita paisagem bonita.
Cheguei em
Prados as 18hs com o sol se pondo e as luzes da cidade acendendo para
me indicar a direção certa a seguir. Vi tudo lá de
cima do morro. As 20hs cheguei estava dando uma palestra para uns 200
alunos que me
assitiram a falar sobre cicloturismo. foi uma palestra cheio de bom humor.
Bem, depois eu já estava mais ou menos conhecido na cidade. A praça
fica cheia de gente nos finais de semana.
Fiquei em
Prados mais um dia para conversar com Sr. César e acertar uma outra
palestra na Fundação Bradesco em S.J.Del Rei.
No outro
dia pela manhã após conversar com Sr. César, dono
de uma sorveteria em Prados. O Sr. César fez parte da primeira
cavalgada pela Estrada Real entre Parati e Ouro Preto. Momentos depois
estava seguindo viagem rumo a Tiradentes passando pela serra de São
José.
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04/08/2004
- 4a. feira - Conselheiro Lafaiete
Vários
acontecimentos ocorreram e só consegui sair de Ouro de Branco as
15h. A distância é curta mas não vou poder ir pedalando
até a cidade de Queluzita.
No caminho passei pela casa onde Tirandentes se hopesdava quando passava
por essa região. Mais a frente passei batido pelo monumento em
homenagem a Tirandentes por falta de sinalização. Só
depois de subir uma serrinha que fui descobrir através de informações
que já havia ficado par atrás. Então desci
tudo novamente e fui lá conferir o lugar.
Em Lafaiete entrei em contato com o Tadeu da Import Bike, amigo do Wallace
de Ouro Branco. Batemos um papo ele me indicou o Cláudio do Hotel
Carumbé onde estou hospedado neste momento.
Valeu pessoal pela força que vcs estão me dando aqui em
Lafaiete. Amanhã, sigo para Logoa Dourada e na sexta-feira vou
dar uma palestra sobre cicloturismo e sobre a minha viagem pela Estrada
Real.
Me desculpem
se não repondo os recados, mas é que está mesmo complicado
cuidar de tanta coisa ao mesmo tempo. está sendo um desfio muito
grande para mim tudo isso. Confesso que estou meio preocupado com o resultado,
pois não estou feliz com o material fotográfico e filagens
que fiz até aqui. Abraços
e obrigado por vs me acompanharem nessa aventura pela Estrada Real.
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03/08/2003
- 3a. feria - Ouro Branco
Fiquei aqui
para tentar atualizar o diário do site e dar um pulo numa loja
de bikes, a Bike e Aventura, do Wallace e Liliana. Eles foram super atenciosos
comigo e me indicaram um amigo de lafaiete quem tem loja de bike em Lafaiete.
A noite fui entrevistar Flávio Leão, e ainda falta tanta
coisa para fazer. Fui dormir logo pois tinha planos de usar a internet
e sair lá pelas 11h.
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02/08/2004
- 2a. feira - Ouro Branco
Acordei bem
cedo e recusei o café da hospedaria. Fui tomar café numa
paderia, comprei frutas e peguei minha bike no hotel e sai pedalando pela
rua que leva para saída de Ouro Preto. Aos poucos Ouro Preto vai
ficando para atrás e ao mesmo tempo vai passando um filme na minha
mente dos belos dias que passará ali. Obrigado Sr. Marcio da loja
Marezza fotos e Ita fotos. Obrigado Fernando Ancil e Jacqueline pela força,
carinho, atenção e amizade que me deram aí em Ouro
Preto. A todos vcs o meu carinho especial. Espero vê-los novamente.
Peguei a
estrada e logo de cara uma subida forte de 3km por uma estrada de asfalto
sem acostamento. por onde ia passando as pessoas me olhavam com uma cara
de espantadas. Alguns ainda perguntam de onde estou vindo e para onde
estou indo, e depois, me desejam boa sorte e dizem: - vá com
Deus.
Acho isso tão bacana... e confortante também, pelo menos
nesse dia que dormi tão mal. O Daniel havia me enviado um email
contando como foi sua viagem por este trajeto. Fiquei preocupado com a
tal subida que havia mencionado na chegada de Ouro Branco. Sabia de outras
4 antes dela. Para o Daniel me escrever falando isso é porque a
coisa era feia mesmo. A paisagem é muito bela e subi pacientemente
as duas primeiras subidas.
Todos os caminhões que passaram por mim, entenderam meus sinais
com a mão pedindo para passar mais afastado da bike. Quando passavam
me cumprimentavam com uma buzinadinha de boa viagem... pelos menos era
assim que eu entendia.
Parei para
tira fotos, filmar e descançar dependendo da subida. Teve uma que
eu fiquei assustado, após uma descida forte a estrada dava uma
guinada par o alto numa subida bem íngrime, me fazendo lembrar
uma onda cobrindo um surfista. Mas a paisagem é tão bela
que eu fui subindo bem devagarinho, cantando alguma música no pensamento
e olhando todo aquele visual. Subi tudinho sem precisar empurrar a bike.
Logo cheguei no povoado de Itatiaia, local onde faria uma oficina de pin-hole,
mas não possível porque não obtive apoio da KODAK
em relação aos papéis fotográficos e como
já havia confirmado o apoio e depois voltou atrás sem muitas
explicações convincentes, ficou difícil correr atrás
de outra empresa que quisesse participar de um trabalho social comigo
no projeto.
Uma pena!
Assim, quando entrei na vila um menino muito comunicativo veio falar comigo.
Ele vendia água de coco numa casa logo a minha frente. Já
tomando aquele coco gelado, ele me perguntando coisas, disse-lhe que iria
dar um curso de fotografia. Então ele disse: - Você é
o moço das latinhas, quando será o curso?
Fiquei com
o coração apertado, pois eles estavam mesmo me esperando
achando que ia ter a oficina de latinha fotográfica. Com todo jeito
expliquei que não teria o curso por falta de equipamento, produtos
químicos... antes de sair da cidade tirei uma fotos deles com minha
latinha e fiquei de mandar uma cópia se a foto ficasse boa.
Desci a rua
que leva até a estrada e Itatiaia ia ficando para atrás
e para cima. Desci pela estrada uns 2 kms e logo a dita cuja da subida
que o Daniel mencionara surgiu bem a minha frente. Fui subindo devagar
e ela é grande mesmo, mas subi tudo até fim. Quando fui
chegando ao topo, fiquei emocionado e
impressionado com a beleza do lugar... então chorei de felicidade
por estar ali, sozinho, naquele lugar mágico. Dava até eco
quando gritava. Só os carros quando passavam quebravam o silêncio
do lugar.
Depois foram uns 6 km de descida e eu ria, chorava, gritava de alegira
por ter subido tudo pedalando. Na reta de Ouro Branco o dia ia terminando
com um belo pôr de sol e eu deslizando pela estrada, vento batendo
nos rosto e fui chegando em Ouro Branco com sempre chego em qualquer lugar...
de coração aberto e alma cantando.
Cheguei na prefeitura e fui bem recebido por todos com que falei e enquanto
uma secretária ligava para uma pessoa, a outra perguntou se eu
dava uma entrevista para o jornal da cidade. É claro!
Conheci Flávio
Leão, um Sr. que entende tudo sobre a Estrada Real. Em sua biblioteca
tem muitos livros antigos que são usados em suas pesquisas sobre
a nossa história. Em breve vai lançar mais um livro sobre
Estrada Real De cara foi muito atencioso e me indicou uma pousada muito
boa e simples.
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01/08/2004
- Domingo - Mariana - Ouro Preto
Saí
do hotel Central no domingo pela manhã, mas antes fiz um pouco
de hora para ir me despedir do Sr. Márcio. Quando cheguei na casa
dele tive uma grande decepção. Ele havia viajado e acabei
não me despedindo dele. Deixei um bilhetinho de despedida embaixo
da porta e partir pela mesma avenida que o
Daniel, dias atrás havia partido. Uma sensação estranha
estar sozinho e olha que já estou acostumado viajar só.
Fiquei imaginado como o Daniel estará se sentindo em viajar só
pela primeira vez, enquanto ia deixando a cidade de Mariana para trás.
Uma cidade bonita e acolhedora.
São 12km de subida de Mariana até Ouro Preto. Quando estava
quase chegando saenti uma fisgada na parte de trás da coxa, e então
descobri que havia me contundido ao caminhar apressadamente pelas ladeiras
de Ouro Preto participando do Festival de Inverno e das oficinas de pin-hole.
Meu objetivo era Itatiaia ou quem sabe Ouro Branco.
Parei no Parque do Itacolomi para me informar e acabei entrando no parque
para fazer algumas enrevistas e conhecer a sede do parque a 5km dali.
Os guardas dos parque falavam que euchegava em Ouro Branco no final da
tarde, mas depois que levantaram minha bike e viram o peso, cairam na
gargalhada. Morreram de tanto rir. Um deles quando tentaou levantar a
bike e não conseguiu, disse:
- Você não foi batizado e nem crismado? Pra tá fazendo
um negócio desse só pode ser.
Quando voltei do parque, já estava quase noite e eu precisava descer
até Ouro Preto para arrumar um lugar para dormir e seguir viagem
no dia seguinte bem cedinho. Fiquei numa pousada de arrepiar até
a família Adams. Paguei R$ 10,00 para ficar num quarto barulhento,
com um cochão "tomara que amanheça MESMO" pois
o danado era um oito. Para se ter uma idéia eu dormi todo encolhido
para não doer a
coluna. O banheiro era impraticável de se entrar, mas orecepcionista
mostrava tudo com um certo orgulho. Saí para jantar e só
voltei bem tarde só para dormir mesmo. Levei a chave no bolso com
medo de que entrassem no quarto. Pela primeira vez fiquei tão preocupado
com meus pertences e comigo também. Era tanto barulho que só
fui dormir 2:30 h da manhã e preocupado com o dia de pedalada que
teria pela frente.
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29/07/2004
- Mariana - 6a. feira
Hoje levantamos
meio calados e quando falavamos era algo do tipo: cuidado com aquilo,
quando chegar em tal faça aquilo, lembre-se disso... Este foi o
dia em que nos separamos... o Daniel está partindo para sua primeira
viagem "solo". Vai aprender a voar sozinho e saber lidar com
outros tipos de medos e descobrir que somos capazes de estar sozinhos
e nos descobrir ainda mais quando estamos sós.
Foi um dia triste para nós dois pois estávamos fazendo uma
boa parceira. Não tive problemas de relacionamento com o Daniel.
É claro, acho que em determinados momento um segurou a onda para
não discutir feio com o outro. Mas nada que interferisse em nossa
amizade tão recente. fui acompanhando o Daniel até a avenida
que sai da cidade, mas antes passamos numa loja de aviamentos para preparar
a minha bandeira do Estado de Minas Gerais. Chegou a hora, nos despedimos
com um abraço forte e um aperto de mão, e disse para o Daniel:
- fica tranquilo vc fai fazer o que fizemos até agora, pedalar...
tudo vai dar certo.
O Daniel responde: - Tô triste, Walter! Tava legal viajar juntos
contigo. E o Daniel saí em direção a Ouro Branco
numa jornada longa e cansativa, pois de Mariana para Ouro Branco é
só subida mesmo por estrada de asflato sem acostamento. Fiquei
triste, mas o Daniel está com pouco tempo para terminar a viagem
,
por isso resolveu ir na frente e tentar chegar mais rápido em Parati.
Vai nessa Daniel! Boa sorte e que Deus ilumine nosso caminho.
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ILHADOS
PELO ATOLEIRO
Em Morro
do Pilar foi a nossa última referência para os amigos que
acompanham a expedição. Sei que algumas pessoas, morrendo
de curiosidade ou de ... até esperam ver aqui algum tipo de explicação
para tantas acontecimentos...
Em Morro de Pilar aconteceu de tudo um pouco. Muita chuva depois de nossa
chegada e a cidade estava um alvoroço com o show que ia acontecer
no sábado, todos preocupados, perguntado se a cidade iria comportar
tanta gente para o show do Bruno e Marrone. Pessoal a cidade é
muito pequena e estavam esperando gente de todos os lados. Claro, eu e
o Daniel preocupados se o temporal iria parar ou não para a gente
cair fora e passar pelo atoleiro que nos impedia de seguir viagem. eu
sei, vcs podem estar dizendo: - mas vcs não estão de bike?
Pois é, mas o pessoal garantia que não havia jeito de passar
nem pelas beradas.
Até ônibus ficou atolado na única estrada para Itambé
do Mato Dentro.
Nesses dois dias em Morro do Pilar, visitamos uma Mina de Escrasvos, coisa
muito louca saber que eles viveram ali e muitos morreram lá dentro.
Praticamente moraram dentro dessas Minas de Ouro trabalhando como escravos.
Apesar da chuva fiz algumas filmagens. Quem nos levou lá foi o
Tião, dono da pousada onde ficamos. Visitamos também o que
restou da primeria Fundição de Minério do Brasil
e da América do Sul. Dá pra imaginar isso bem aqui nesta
cidadezinha?
Houve um acontecimento que vou guardar para mim, embora algumas pessoas
possam estar sabendo. Posso dizer que gostei!
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UMA
CARONA INESPERADA
De repente
o Daniel entra no quarto falando:
-Conseguiram uma carona para passar o tal atoleiro com uma camionete.
A intenção
seria nos levar uns 10k até uma bifurcação. Depois
seguiríamos por uma estrada que leva a Itambé do Mato Dentro,
um trecho sem recurso, difícil por causa das enormes subidas, mas
talvez o mais belo da viagem até
aquele momento. Para mim, era o meu "desafio particular". A
história é longa e merece cuidado ao falar sobre o assunto,
mas para resumir a história fomos parar em Itambé do Mato
Dentro. Acidente de percurso que não houve como evitar ou se houve
não soubemos evitar.
No outro dia voltamos até um trecho para conhece melhor e bater
fotos. A paisagem é maravilhosa e talvez só com fotos vcs
poderão imaginar. Canyon, montanhas, rios eum homem das cavernas
morando bem ali, ao lado da
estrada.
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O
HOMEM DAS CAVERNAS
É
ele existe e já deu entrevista para o Globo repórter...
e para mim também... claro que por morar perto da estrada, muitos
vão lá para visitá-lo. Fala pra caramba, vive em
cavernas mais de 30 anos, tem uma cobra de estimação
(nós não a vimos) e não tem como fazer o homem para
de falar. Um dia eu conto para vcs essa história. Foi bem legal!
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QUE
LEGAL, UMA PALESTRA NO FESTIVAL DE INVERNO DE ITAMBÉ!
Fui convidado
para falar para um grupo de adolescentes que estavam fazendo oficinas
de turismo no festival de inverno da cidade. Toda cidade da região
tem um festival de inverno acontecendo, organizado por prefeituras e universidades.
Falamos sobre cicloturismo e sobre a necessidades do turista quando está
viajando pela região, seja de carro e principalmente a pé
e de bicicleta. Agora quando algum cicloturista passar por Itambé
do Mato Dentro, alguns adolecentes e familiares já saberão
quem somos, como planejamos, o que levamos e o que precisamos deles.
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PINTURAS RUPESTRES
Ainda em
Itambé do Mato Dentro, depois da palestra eu o Daniel e o Ézio(Coordenador
do curso de turismo em Itambé) fomos de bike ver as pinturas rupestres
que ficam numa pedra enorme na periferia de Itambé. Fomos de
bike, mas o percurso era muito difícil para se fazer pedalando,
muita pedra, mata fechada, galhos pelo chão e o entardecer ia anunciando
a noite que estava por vir em breve. Antes de entrar na mata, passamos
por uma pequena vila de parentes de descendentes de escravos. O lugar
é tudo muito limpinho e o pessoal ainda fica meio envergonhado
quando a gente passa por lá. Tentei bater uma foto mas quase todo
mundo saiu correndo. Somente duas pessoas ficaram paradas no muro.
Havia pouco tempo para ir e voltar. Então pedalamos, empurramos,
levantavámos as bikes para transpor pedras, tomamos água
em riachos. Fizemos meia hora de aventura nessa pequena trilha e num descampado
avistamos a pedra bem próxima, mas para chegar lá seria
meio tarde. Era preciso dar uma pequena volta até chegar a ela.
Conversamos entre nós e achamos melhor não ir e ter que
voltar a noite por aquele caminho complicado e depois chegar no escuro,
não poder ver direito e nem fotografar. Então... voltamos
dando risada, conversando sobre
vários assuntos até chegarmos na cidade.
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IPOEMA
Essa era
nosso próximo destino. O Daniel como sempre querendo sair rápidamente.
Em alguns aspectos acho que ele até tem razão, mas por outro
lado estamos de férias e é preciso aproveitar mais, conhecer
mais gente. Nessa de conhecer outras pessoas, fiquei sabendo que havia
uns caras no camping da cidade que estavam fazendo o percurso voltando
sentido Diamantina. fui lá conversar com os caras enquanto o Daniel
foi ao correio.
Fui bem recepcionado pelos amigos ciloturistas que logo me ofereceram
café dizendo que não aceitava recusas. Pedi desculpas explicando
que estava com muita dor de cabeça. Aliás, esse diua foi
difícil pois toda a viagem eu fiz toamdno remédio para dor
de cabeça. Acho que alguma coisa que comi não me fez bem...
novidade!
Os cara são gente boa, conversamos, tiramos fotos e trocamos emails.
Desejamos sorte para nossas viagens fui encontrar o Daniel. Ele estava
"p" da vida comigo por causa da demora. cheguei e disse: Vamos
nessa?
Não falei nada para desrespeitá-lo pois acho que ele tinha
razão em estar meio assim comigo. Havia demorado um pouco, mas
acho que ele estava mesmo injuriado com alguma coisa em relação
a viagem. Viajamos quietos até Senhora do Carmo, uma vilazinha
no meio do percurso. Então qdo ele foi sacar dinheiro na agência
avançada do Itaú e não conseguiu, voltou reclamando,
querendo dizer umas para o cara do banco...
Calma Daniel, não adianta vc ficar falando assim, aqui na região
tudo é diferente da cidade grande. Os caras são mesmo na
deles... tranquilos. com o Daniel já mais calmo fomos fazer um
lanche e seguir viagem. Consegui um cara para levar meus dois alforjes
dianteiros até Ipooema e isso já me ajudou muito no rendimento
da viagem. Daí até Ipoema fomos conversando bastante e falamos
sobre nosso silêncio no início da viagem, sobre meu atraso
e ficou tuo numa boa.
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CHEGADA
EM IPOEMA
No final
da tarde chegamos em Ipoema, cidade onde está o Museu do Tropeirto.
O Daniel quase sempre vai na frente e chega alguns minutos antes de mim
na cidade. Eu parei na estrada para bater fotos com umas crianças
que riram quando passei pedalando. Tiraram fotos em cima da minha bike,
fizemos algumas brincadeiras e segui viagem com a promessa que lhes enviaria
uma cópia das fotos. Quando entro na cidade o Daniel estava bravo
com uma mulher que lhe ofereceu pousada por R$ 25,00 sem café da
manhã e o lugar é um muquifo só. Fomos para outra
pousada e a mulher fechou tudo e foi para a roça. Havia um bilhete
para ir em outra pousada do mesmo dono. Quando chegamos lá, também
estava fechada e ninguém sabia dizer onde encontrar a pessoa responsável.
Cansamos de esperar e fomos atrás da 4a. posada e última
pousada.
A pousada fica atrás de um posto de gasolina na saída da
cidade já na estrada de asfalto. Foi a melhor coisa que fizemos,
o pessoal é gente boa, o dono (Roneijober) é fotográfo,
tem um Jornal e conhece tudo na região. Nos
mostrou fotos e fizemos uma entrevista para o jornal dele quase 23h, komentos
antes de irmos dormir.
Café da manhã delicioso, com frutas e bolo, pão de
queijo. Pode parecer que estou fazendo um roteiro de gastronomia e no
fundo isso conta também, mas já ficamos em lugares que era
só pão com mateiga e café preto. Lanche mesmo era
completado na padaria.
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O
TROPEIRO JOSÉ INÁCIO
Pela manhã
fomos visitar o Museu do Tropeiro e acabei entrevistando o Sr. Zé
Inácio, um tropeiro e pesquisador muito respeitado e requisitado.
Uma verdadeira enciclopédia. Com muito carinho e atençaõ
nbos concedeu uma entrevista nos fazendo entender um pouco mais sobre
esse movimento importante da nossa história, o tropeirismo. A entrevista
foi muita engraçada e por causa dos causos que ele nos contou.
Zé Inácio se empolgou e nos pediu para ir
falar sobre nossa viagem num curso do SEBRAE que ele estava participando
naquele
momento numa casa bem ao lado.
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NÓS
NA FITA OUTRA VEZ. HE HE HE!
Ao entrarmos
na sala onde acontecia o curso do SEBRAE, a mulher que ministrava o curso
pediu um momentinho para conlcuir o exemplo que estava dando para o pessoal
do curso. Qaundo me chamou para ir ao centro da sala para falar ela disse:
Pessoal! um momentinho que o Walter ciclista que anda pedalando pelo mundo
vai falar.
Levei um susto pensando ao mesmo tempo como aquela pessoa sabia meu nome.
Lhe fiz essa pergunta e ela respondeu: - quando vc entrou e começou
e ouvi sua voz vi que era uma voz conhecida e vc me conheceu numa viagem
de bike que vc fez para Guarapari. Vc acampou no camping do Siri e conheceu
minha família, meus amigos. Eu sou a Norma e estava com eles no
camping onde lhe conheci. Dito isso, fiquei muito emocionado por vários
motivos. Primeiro que é
pequeno mesmo e a gente pode esbarrar com pessoas queridas a qualquer
momento e em
qualquer lugar do mundo. Naquela viagem meio sem sucesso para Guarapari,
fiquei nesse camping em Marataízes e conheci o Dimas e sua famíla
e amigos, Como todo Mineiro, foram muito hospitaleiros e me deixaram muito
a vontade. Parecia que a gente estava viajando juntos.
Obrigado Norma por estar no meu caminho e me fazer essa surpresa.
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Eu e o Daniel
falamos sobre nossa viagem, nossa emoção com a hospitalidade
dos mineiros que em momento algum nos deixaram na mão. FAlamos
da importância deles não perderam sua essência em função
do crescimento do turismo na região. Foram 15 minutos de conversa
e todos ficaram emocionados com nossas palavras e nós por estarmos
tendo aquela oportunidade.
Nosso grande amigo Zé Inácio havia nos dado essa oportunidade
única.
Obrigado Zé por seu carisma e atenção.
Pegamos nossas
bike e seguimos sob o sol forte das 13h rumo a Cocais.
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ADEUS
ESTRADAS DE TERRA!
Esses são
os últimos quilometros em estradas de terra, pois a uns 20 km,
já na próxima cidade será tudo por asfalto e isso
significa maior perigo para gente na estrada. Carros em alta velocidade
em estrada sem acostamento. Mas antes de sair do asfalto surgir, ainda
na estrada de terra numa subida íngrime, tivemos que empurrar um
FIAT 147 todo podre que havia afogado bem na subida. O cara estava parado
bem no meio da estrada e com a porta aberta. No
teve jeito além de tudo tivemos que dar uma força para o
bacana. Antes de empurrar eles nos contou que um policial que estava bebendo
num bar disse o seguinte a nosso respeito quando fui comprar água
e pedir para levar os alforjes dianteiro até a próxima vila:
- esses caras são da vida, tipo cigano vagando por aí. SAbe
lá o que eles levam ou podem fazer para as pessoas.
Policial filho da mãe, deu vontade de voltar e perguntar que tipo
de policial ele é para estar bebendo num bar 13h e falando das
pessoas sem saber nada a respeito delas?
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ASFALTO
E TENSÃO NA BR-040
Já
era umas 16:30h quando chegamos no cruzamento da BR-040. Quando entramos
nela ficamos tensos, preocupados com acidentes e com muito medo de que
alguma coisa
desse errada. Foram 6 ou 7 km com muito veículo pesado passando
por nós a toda velocidade. A todo tempo ficava olhando para atrás
e dando uns toques para o Daniel que não vinha caminhão
e que dava para pedalar um pouco mais tranquilo.
Quase 17h saímos da BR e ficamos aliviados por estarmos na estradinha
que nos levaria até Cocais que estava a uns 20km. Estávamos
exaustos e loucos par chagar na pousada em Cocais. Chegamos lá
as 18h e para variar a pousada fica numa subida do outro lado da cidade.
Aqui tudo é no alto ou bem lá embaixo. De alguma fora a
gente tem que subir pedalando para algum luigar.
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COCAIS
Nossa estadia
em Cocais foi tranquila. A pousada é mais naturalista e pudemos
limpar nossos organismos com a alimentação servida por lá.
Tudo era feito lá mesmo. Everton, o dono da Pusada das Cores é
fotógrafo e jornalista do Jornal Estado de Minas. Um cara muito
inteligente e que já foi até Monge.
Fomos fotografar uma festa de comemoração de 300 anos da
vila que é Distrito de Barão de Cocais. No outro dia fomos
visitar um sítio com pinturas rupestres e cachoeiras. Foi muito
legal nossa estadia por lá.
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PEDALANDO
EM VOLTA DO CARAÇA
SAímos
de Cocais e seguimos rumo a Catas Altas. No caminho está o Parque
Natural do Caraça. O problema é que a entrada do parque
está a uns 17km da estrada e só há uma hospdegem
que pertencem aos padres e que custa R$ 90,00, além de não
poder acampar. POrtanto, infelizmente não entramos no parque, mas
viajamos o tempo todo circundo a Serra do Caraça que é maravilhosa,
até chegar em Catas Altas já pelas 16h da tarde. Fiquei
impressionado com a imponência e beleza dessa serra, que na verdade
parece mais um morro gigante.
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DIA
DIFÍCIL
De Catas
Altas seguimos para Mariana que está a 53 km. SAbíamos que
seria preciso transpor uma baita montanha com várias e grandes
subidas. Depois de 25km chegamos numa subida curta mais muito "punk".
Coloquei a filmadora na bike e comecei a subir. Quase morri, achando que
meu coraçao iria sair pela boca. TUM TUM, TUM TUM, TUM TUM... não,
não era um tambor, era meu coração batendo tão
forte que saltava pela camisa. "ETA FUMINHO FORTE, SÔ!"
Graças
a Deus chegamos no topo em pouco tempo, mas exaustos para pararmos na
portaria da SAMARCO (mineradora) epedimos para nos deixar lanchar numa
casinha bem ao lado. Frustas secas, granola, banana, laranja, água,
gatorade e até um pãozinho com queijo que a gente sempre
prepara quando saímos de uma pousada após o café
da manhã... bem,essa foi a nossa alimentção.
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SÓ
DESCIDA, NÃO ACREDITO!
O cara da
SAMARCO disse que até o distrito de Antônio Pereira seriam
15km descida. Agradecemos a informação e saímos fazendo
brincadeiras só entre nós dois duvidando dessa informação.
Mas não é que era mesmo! Descemos 15km sem parar até
chegarmos na vila.
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A
VILA!
Chegamos
em Antônio Pereira para fazermos um lanchinho mais reforçado
pois as subidonas estavam logo ali a nossa vista, nos deixando meio apreensivos
em saber se iríamos da conta, pelo menos eu estava pensando assim.
Já o Daniel sobe bem.
Logo na entrada da cidade a má impressão. Lugar sujo, algumas
pessoas meio mau encaradas no olhando entradar pela rua. Apesar disso
fomos bem atendidos na lanchonete. Sem problemas, mas mesmo assim compramos
um pãozinho na padaria e "picamos a mula", aliás,
a bicicleta, em direção a Mariana.
topo
CHEGADA
EM MARIANA
Depois subir,
subir, subir e subir, chegamos ao topo da serra concluindo que foi menos
difícil que imaginávamos. Depois disso foi uma sucessão
de subidas e descidas até chegar em Mariana.
Já próximo a prefeitura, encontrei um cara muito maluco
que faz propaganda pela cidade com a bike muito enfeitada, mas muita enfeitada
mesmo. Entrevistei o cara e seu amigo que estava "pra lá de
Bagdá", meio que atrapalhava querendo a tod custo aparecer
na gravação. Nessa entrevista descobrir que o Roberto é
conhecido como Biker Som e tem até carteirinha com
foto e tudo. Assim ele montou uma empresa de propaganda usando a bike
como veículo outdor. Descobri também que uma vez ele foi
de BH até São Paulo com a mesma bike carregada com todos
os "badulaques" dependurados. Uai sô! então o homem
também é um cicloturista!
Dali fomos
procurar pelo Sr. Márcio, dono de lojas de fotografia em Mariana
e Ouro Preto. Aliás, foi ele quem descarregou as fotos da câmara
digital.
Seu Márcio chega na loja e muito atencioso já nos recebe
com carinho e atenção. Fala bastante, mas tem a voz tranquila
e muito entusiamos pela fotografia, e por isso foi logo mostrando a coleção
de câmaras antigas (mesmo) que expostas na loja.
Combinamos
tudo com ele e fomos nos hospedar no Hotel Central por indicação
do Sr. Márcio.
O pessoal aqui quando nos vê nas bikes diz: "Uai, sô!
Cês tão animados demais!"
Outra coisa que costumam dizer é: "Ó que chique sua
bike!".
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Mariana
- Ouro Preto / Ouro Preto Mariana
Ficamos desde
terça-feira nesse percurso indo e voltando de ônibus. Em
Ouro Preto achei a pessoa que poderia me ajudar com a latinha nova. Era
o Fernando que estava justamente ministrando duas oficinas de pin-hole
(foto com lata) para crianças e adultos. Voltei no outro dia e
fiz parte oficina, pois acabara de ganhar uma latinha nova (late de nescau)
e precisava fazer os teste de exposição. Fiquei até
no sábado nesse pique. Minhas fotos foram expostas
junto com as das crianças, no Espaço cultural de Ouro Preto.
Valeu Fernado e Jacqueline (noiva do Fernando) pela amizade, carinho e
conmpanhia por Ouro Preto. Com eles assisti uma peça do Grupo Galpão
(BH)- "Um Moliére Imáginário" e depois
um show maravilhoso do Grupo UAKTI, que vai fazer a abertura da Olimpíadas.
Foi um dia mágico, mas já era tarde e quase morri de frio
nas ruas de Ouro Preto.
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2ª
feira - 19 julho
Saímos
de Conceição as 10h e já de cara uma bela subida
de uns 3kms e logo em seguida pegamos a estrada de terra para Morro do
Pilar. Um percurso difícil e com pouco transito de carros. Logo
nos primeiros quilometros uma bifurcação e ninguém
para perguntar. A sorte é que havia uma fita amerela amarrada no
mato e nós pudemos perceber que alguém andou marcando o
caminho da Estrada Real num trabalho voluntário. Muito estão
fazendo o percurso, mas a maioria com carro de apoio.
Hoje fiquei muito cansado com as subidas do percurso, mas chegamos bem
apesar da chuva e da lama que havia no caminho. Mais uma vez não
puder fazer muitas fotos, mas consegui fazer algumas filamagens com a
digital. Chegamos por volta das 15h e amanhã o percurso será
ainda mais difícil, serão 35 km até Itambé
do Mato Dentro. Por isso pretendemos sair as 8h sem atraso.
Torçam por mim e pelo Daniel. Apesar que o Daniel sobe muito bem
as pirambeiras da região. Eu é que estou procurando me concentrar
e não sentir muitas dores nas costas. Até aqui acho que
estou indo muito bem.
Valeu gente pelo apoio que vcs estão nos dando com suas mensagens.
Abraços para todos.
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Domingo
- 18 de julho
Levantamos
cedo, tomamos um super café e fomos para o povoado de Tabuleiro,
onde está a cachoeira do tabuleiro a terceira maior do Brasil se
não estiver enganado. O lugar é maravilhoso, uma pena não
poder descarregar as imagens da câmara digital para mostrar algumas
fotos. Lá conheci um cara que dizem ter sido levado por um disco
voador. O cara desapareceu e só depois de 3 meses reapareceu no
povoado totalmente maluco. Fui filma-lo para depois contar a história
e então antes de passar por ele já havia ligado a filmadora
dentro do carro que eu estava. Filmei o cara de passagem e logo depois
fui ver o que tinha saido. Saiu só o que foi gravado dentro do
carro, a imagem do cara não saiu na filamgem. Eu mesmo fiquei espantado
com o que vi.
A noite fui conversar com uma irmã da cidade de Conceição
do Mato Dentro e ela me contou várias histórias curiosas.
Foi um dia corrido mas o tempo por aqui não tem ajudado muito.
Amanhã vamos partir para Morro do Pilar.
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Sábado
- 17 de julho
Era 9h quando
deixamos o Bar do Dé. Seguimos pela estrada num dia novamente nublado.
desta vez o trecho ficou mais difícil, mais costetelas de vaca
e muito popeira deixada pelos carros.
No final teve uma subida muito forte e sol já havia acabado de
sair o que dificultou um pouco pelo calor que começava a fazer.
Chegamos bem em Conceição do mato Dentro. Já estamos
hospedados e vamos ficar aqui até domingo. Na segunda feira vamos
seguir para o Morro do Pilar. Está talvez seja uma das etapas mais
difíceis do trajeto. Acho que será assim até Ouro
Preto.
Obrigado pelos emails e torçam para que eu consiga preparar outra
latinha fotográfica. O trabalho não está sendo fácil,
mas estou tentando fazer o possível para ficar legal. História
para contar eu tenho várias de todos os tipos.
Beijos para
todos. Walter magalhães. O Daniel vcs não conhecem mas ele
certamente lhes envia um grande abraço.
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6ª
feira - 16 julho
PESSOAL,
LEVARAM UM DOS MEUS EQUIPAMENTOS DE FOTOGRAFIA!
É o equipamento que mais gostava! Saímos para fotografar
na 5a. feira, e lá pela tantas dei falta da "lata de pin-hole",
minha câmara fotográfica de estimação. Fiz
uma foto com ela e depois fui fotografar com a câmara convencional.
Andei um pouco e senti falta da minha lata fotográfica. Alguém
a pegou e levou
embora. Não dava para ter perdido assim tão fácilmente.
Estou triste pra caramba. E agora? Vou ter que fazer outra lata, mas vai
ter que ser uma pequena, com lata de nescau ou leite ninho. Tinha feito
uma foto muito legal com ela.
Passado um pouco a minha decepção, saimos em viagem rumo
a cidade de Serro. Partimos tarde novamente (11:30h) por causa desse contra-tempo.
O percurso foi mais fácil do que imaginava. As pessoas falaram
de "costela de vaca", areia pelo caminho, etc. tinha mesmo tudo
isso, mas nada que atrapalhe tanto a viagem. O segredo talvez seja fazer
os 60km em duas etapas como fizemos. Foi
muito legal. Depois de 30 km com algumas subidas passamos por Itapoiacanga,
um "arraiá" (vilazinha) no meio do percurso. Preferimos
não ficar na pousada e adiantar alguns quilometros a mais. Já
de volta para a estrada, mais uns 5km chegamos no "Bar do Dé"
e resolvemos acampar na beira da estrada. O Dé e sua
família nos receberam muito bem. Nos deixou acampar no terreno
de sua casa e acabamos acampando na varanda da casa. Tomamos banho em
sua casa. Toda sem graça
sua melhor pediu desculpas pelo chuveiro quebrado. Quem liga para isso?
Uma água para tirar a poeira já basta. Então tomamos
banho "chuá", balde com água quente e panelinha
para jogar água no corpo.
De quebra, chegamos num dia de festa. Era o Arraiá do bar do Dé.
Uma farram, tinha gente que chegou bebum, ficou bebum e pela manhã
quando estávamos saindo, lá estava o cara ainda bebum. Teve
quadrilha, quentão, canjica, caldo de mandioca super apimentado.
Queimei até a alma. Aliás, tudo por aqui é meio apimentado.
Pela manhã, o Dé que havia acabado de de dormir, acordou
para fazer um café com leite pra gente seguir viagem. Foi maravilhoso
ver tanta hospitalidade vinda de gente tão humilde. Aliás,
de quem mais devemos esperar isso se não for dessa gente. Eu e
o Daniel ficamos até emocionado com tanta educação.
Pelas "Gerais de Minas" parece que estou em outro país.
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4ª
feira - 14 julho
Saímos
mais cedo desta vez e novamente o céu todo carregado, com nuvens
negras passando pertinho da gente nas montanhas a nossa frente.O dia está
bem mais frio. Se chovesse seria difícil encarar a viagem toda.
Pegamos bastante
subidas outra vez ao contrário do que nos falaram sobre as descidas.
Mesmo assim, foi um dia que rendeu legal. Pude fotografar mais, filmar
mais e mostrar como é subir empurrando uma bike com tanta bagagem.
Para variar, ao chegar na cidade de Serro a entrada é numa subida
bem inclinada, mas subimos pedalando. Fiquei feliz, pois acho que já
estou tendo um condicionamento melhor. O problema e que não estou
conseguindo dormir bem. Em Milho Verde um galo começou a cantar
desde as 2h da manhã e foi assim de hora em hora até 9h.
Em Serro
fomos muito bem recebidos na hospedaria Ares do Serro. O Daniel foi ao
banco numa cidade ao lado resolver uns problemas burocráticos e
logo mais vamos seguir para um lugarejo aqui próximo. O problema
é que a estrada é cheia de "costela de vaca".
Nossa meta é chegar até 6ª feira na cidade de Conceição
do Mato Dentro.
Agradeço
mais uma vez pelos emails enviado pelos amigos e peço-lhes desculpas
por não poder responder pra todos. Mas saibam que estou sempre
dando uma olhada nas mensagens que me trazem muita força e felicidades
por saber que estamos perto mesmo distantes. Vânia, muito obrigado
por sua mensagem, fiquei muito emocinado quando li. também sinto
saudades de todos, do Gabriel, Mauí, Claudinho e da família
toda. Tenho certeza que valerá a pena o sacrifício.
Até
a próxima.
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3ª
feira - 13 julho
Demoramos
para sair de São Gonçalo. Ficamos tirando fotografias, entrevistando
algumas pessoas. Acabamos saindo quase 1h da tarde. O percurso não
foi diferente do dia anterior muita subida. Tem que curtir muito o local
para tentar esquecer o sacrifício de empurrar a bike.
Pedalamos apenas 8 kms de S. Gonçalo até Milho Verde. Muito
tempo para pouco pedalada. Resolvemos não seguir por causa do mau
tempo. Se continuassemos chegaríamos somente a noite em Serro.
Achei Milho Verde um lugarejo simpático, ao contrário do
acharam meus amigos Alisson e Petra.
É um local diferente com vários hippies vendo artesanatos.
Chegamos bem na semana que acontece o festival de inverno nos distritos
da região, levando todo o tipo de atividades para a comunidade.
Quando falei da oficina de Pin-hole todos me perguntavam porque não
havia feito contato com eles para fazer a oficina. Difícil adivinhar
que num local como aquele iria ter algo assim. Com quem fazer contato?
Ficamos numa pousada bem simples (Pousada da Dona Lourdes). No jantar
cheio de gente conversando sobre a Estrada Real, dando risada da gente
por causa da ralação que vamos encontrar pela frente. Mas
também disseram que o visual será maravilhoso.
Estou preocupado
com meu trabalho (fotográfico, filmagens, latinha) que ainda não
me convenceu. Está tudo meio corrido e fotografar é preciso
ter tempo, olhar mais apurado.
Amanhã vamos partir bem cedo para evitar surpresas no percurso.
Dizem que é mais descida para Serro do que subidas. Vamos ver!
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2ª
feira - 12 julho
Saímos
de Diamantina as 11h e nosso objetivo era sair às 7h. Tomamos café,
pesamos nossa bagagens (chorei de rir ao ver os 27 kg que tenho que carregar
comigo) e fizemos fotos e filamagens na praça de Diamantina. Muitas
pessoas vieram nos desejar boa sorte em nossa viagem.
O percurso é muito difícil. No céu, as nuvens carregadas
anunciavam a grande possibilidade de chuva. Esse era o nosso medo, pois
a chuva cai forte e o vento congela o corpo. Pegamos duas subidas bem
fortes, sem contar as pequenas. Após o passar o "rio do inferno"
veio uma subida que não dava para acreditar.
Ainda bem que a paisagem compensou todo o esforço. Para para um
lanche numa casinha abandonada na beira da estrada. Carro aqui a gente
conta nos dedos. É tudo bem deserto, mesmo assim contamos uns 7
carros. Antes de chegar em S. Gonçalo do Rio da Pedras, passando
pelo povoado de Vau, fiquei sabendo da última subida, uma parede
de 5 km. Fiquei assustado, me senti pequeno diante daquela montanha. As
costas doendo resolvi procurar alguma alternativa para não forçar
mais e subir até S. Gonçalo. A alternativa veio com uma
pick-up que me levou até a entrada da cidade. Fiquei frustado por
isso, mas foi a alternativa para lá de correta. O Daniel resolveu
escalar o paredão, está com o condicionamento bem melhor
que o meu e com a bike mais leve também. Chegamos nessa vila às
17hs e fomos procurar um local para nos hospedar.
Fiquei hospedado
na Venda do Edemil, uma pessoa muito bacana que nos atendeu com
a maior atenção. Dona Cida, sua mulher, fez uma comida caseria,
com direito a
licor de gabiroba e sobremesa com doce de mamão com rapadura. Uma
delícia.
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Domingo
– 11 de julho
Hoje, domingo, foi um dia corrido por aqui. Visitamos alguns lugares e
finalmente consegui fotografar o caminho dos escravos. A fotografia com
pin-hole está difícil fazer nesta correria. Amanhã
vamos iniciar nossa jornada e pelo que estamos percebendo não será
nada fácil.
Fomos a missa hoje e o padre nos deu uma benção (me senti
no caminho de Santiago) e no final da missa pediu que fossemos ao altar
e toda a comunidade nos desejou sorte em nossa viajem pela Estrada Real.
Descobrimos que ainda não há sinalizações
e as vezes não há como obter informações.
Soubemos isso de outros ciclistas que chegaram em Diamantina fazendo o
circuito contrário.
Vamos partir para São Gonçalo do Rio das Pedras, nossa primeira
jornada da expedição. Torçam por nós.
Próximas notícias será de São Gonçalo.
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Sábado
– 10 de julho
Olá amigos! Estou em Diamantina desde 5a. feira. Para quem não
sabe, na última hora um amigo resolveu fazer a viagem comigo. Daniel,
filho do Dorival que acabou de fazer o Caminho de Santiago. Estamos felizes
com a acolhida do povo mineiro e principalmente de Diamantina. RElamente
todos prontos a nos ajudar sem medir esforços. Já demos
uma entrevista na Tv local. Já encontramos vários ciclistas
fazendo trechos da Estrada Real e em sua maioria com carros de apoio.
Eli e Rodrigo, encontramos dois ciclistas de BH com a camisa do Clube
de Cicloturismo. Fizemos uma amizade bem legal.
Gastei uma grana com a bike (pneu) ou ciclocomputador quebrou e não
há como conseguir outro.
Ontem ficamos até 2h da madrugada num bar ouvindo causos com uma
turma bem legal. Sem falar da Sra. América, mãe da Samia,
proprietária da loja Treliça (vale a pena conhecer) que
tem muita história sobre a exploração dos diamantes
e também, sobre o presidente "JK" que foi amigo de seu
avô.
Obrigado por todas as mensagens que vcs estão me enviando, realmente
é uma força muito importante. Jorge, obrigado pela recepção
na rodoviária de SP. VAleu mesmo!
Até o próximo diário.
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Sábado
– 03 de julho
Cheguei na
casa de meus pais sábado passado no início da noite e encontrei
minha mãe e minha avó paterna conversando na cozinha da
casa. Dona
Ilka Carneiro Magalhães, 90 anos, mineira de Silvanópolis,
minha única avó com vida, me surpreendeu quando falei da
minha próxima viagem.
No meio de
uma conversa eu lhe disse:
- Vó,
na semana que vem estarei em Minas Gerais.
- É mesmo? Para que lugar você vai?
- Vários lugares, vó.
- É mesmo? Respondeu novamente.
- Vou para Diamantina, fico lá uns quatro dias e depois volto passando
por várias cidades.
Mas vou de bicicleta, vó!
Ela me olhou
com um jeito de desconfiada e começou a rir e foi dizendo ao mesmo
tempo: - se fosse de motocicleta ainda vá lá, mas de bicicleta?
Logo em seguida
foi que ela me surpreendeu quando começou a falar sobre esse assunto
com a maior naturalidade.
- O bom da
bicicleta e da motocicleta é que você vai parando onde quiser,
e pode ir devagar também. A bicicleta é melhor, pois a motocicleta
faz muito barulho e polui. Já a bicicleta não. E continuou...
Com a bicicleta vai-se tranqüilo, pode mudar de rumo a hora que quiser,
pode conhecer melhor os lugares por onde a gente passa...
Minha avó,
aos 90 anos me falando essas coisas foi sensacional. Ganhei meu final
de semana ouvindo isso dela.
É
assim, com essa breve história da minha avó, que escolhi
começar o diário da minha expedição pela Estrada
Real.
Passei tempos
planejando essa viagem. Várias situações que me fizeram
adiar a data de partida e que em algum momento, cheguei a pensar que não
iria mais partir por causa de alguns acontecimentos.
A dificuldade de conseguir parcerias para viabilizar a expedição.
Todo o investimento em equipamentos ealizado ao longo de um ano e meio
sem o retorno financeiro esperado. A surpresa no trabalho com um curso
de última hora.
Algumas perdas de pessoas queridas que aconteceram nesse meio tempo. Perdas
que deixaram marcas em minha alma e eu nem havia me dado conta de como
me marcaram. Fui perceber isso ainda esses dias, momentos antes de pôr
a bike na estrada.
Após
tantas experiências vividas durante esse planejamento estarei partindo
para Diamantina nesta primeira semana de julho, e de lá, iniciar
essa expedição tão esperada e sonhada por mim.
E por falar em começar, o vento jogou sobre a mesa do meu “escritório
particular” (risos), uma das frases que tenho fixado com imã
num painel de fotos próximo a janela e que me serviu como um sinal
bem tranqüilizador. Por algum motivo não anotei o autor da
frase.
“A
verdadeira grandeza é começar onde você está,
usar o que você tem, e fazer o que você pode”.
O próximo
boletim será de Diamantina (MG) durante o calor do Festival de
Inverno que começou na cidade neste mês de Julho. Até
logo mais.
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Diário
da expedição 19/07/2004 até 01/082004
Cidades por onde já passamos e ficamos hospedados:Morro
do Pilar - Itambé do Mato Dentro - Ipoema - Cocais - Catas Altas
- Mariana e finalmente Ouro Preto.
Bem, por
falta de acesso a internet e reorganizar algumas coisas para a continuidade
da viagem como havia proposto a fazer, fiquei sem atualizar o diário.
Um desses motivos foi a confecção de uma nova câmara
fotográfica, o que só foi possível fazer aqui em
Ouro Preto. Portanto
essa parte da viagem será um resumo dos principais acontecimentos
até aqui.
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